Para pensar saúde: O combate a poliomielite
- Bernardo Portela
- 6 de abr. de 2021
- 3 min de leitura

Poliomielite
A poliomielite foi uma doença infectocontagiosa causada por um vírus. O polivírus encontrava-se no intestino e acometia, em sua maioria, crianças. A maior parte das infecções apresentava poucos sintomas, porém, existiam ainda aqueles sujeitos que, infectados pelo vírus, passavam a desenvolver paralisia e insuficiências respiratórias. Para esses sujeitos, as principais características eram a perda da força muscular e dos reflexos e a possibilidade de morte.
Se escrevo no passado sobre a doença é porque ela foi erradicada do Brasil, nos meados de 1988. A poliomielite foi a segunda doença erradicada do país, a primeira foi a varíola, e o sucesso deu-se graças a um único fator: a vacinação, decisiva nos anos de 1988, quando espalhou-se campanhas de vacinação contra este vírus. Desde 1989 não existem registros de mortes no Brasil por poliomielite.
Por mais que a doença tenha se extinguido no Brasil, ela ainda ocupa um espaço dentro das ações em saúde do território brasileiro, havendo, por parte do Ministério da Saúde, Secretarias Estaduais e Municipais ações que visem impedir a reinserção do vírus no território brasileiro. Há a constante ação de vigilância sanitária no território, tendo, como medidas tomadas para prevenção da poliomielite:
Vigilância Epidemiológica: detectar precocemente a reintrodução do poliovírus selvagem no território brasileiro, mediante vigilância ativa das paralisias flácidas agudas em menores de 15 anos.
Vacinação: Campanhas nacionais realizadas duas vezes por ano.
*Além das medidas acima mencionadas, o Brasil tem, em seus laboratórios, amostras do polivírus, de modo que eles podem ser propagadores da poliomielite na sociedade. Assim, nesse sentido, devido a possibilidade destes mesmos laboratórios serem os propagadores da poliomielite no Brasil, há a fiscalização constante deles e dos seus métodos de seu armazenamento. O Brasil é um dos poucos países que ainda contem amostras virais do polivírus.
Exemplo de ações do Ministério da Saúde para combate e prevenção da poliomielite

No ano de 2009, o Ministério da Saúde em parceria com as secretarias estaduais e municipais de saúde, realizou a campanha com o lema: "Não dá pra vacilar – Tem que vacinar", que buscava imunizar 95% da população menor de 5 anos de idade.
Ao todo, 115 mil postos de vacinação participaram da mobilização, que envolveu cerca de 350 mil pessoas e cerca de 40 mil veículos. Como resultado a cobertura ultrapassou a vacinação de 98% da população alvo, tendo, porém, em alguns estados e municípios, índices inferiores aos 95% inicialmente propostos.
Por mais que a doença, no ano de 2010 tinha sido erradicada a mais de 10 anos no Brasil, ela deixou consequências. 68% das pessoas que tiveram poliomielite desenvolveram a Síndrome Pós-Poliomielite, uma desordem neurológica considerada tardia desenvolvida pelo polivirus, caracterizada pela fraqueza muscular e fatigabilidade.
Assim, foram desenvolvidos, no ano de 2010, formações para profissionais da área da saúde na atuação com pessoas com SPP, na intenção de desenvolver ações mais efetivas para pessoas que contraíram o vírus e que apresentam perdas na suas qualidades de vida.
Esse fragmento faz parte do caderno Vigilância em Saúde Panoramas Conjunturas Cartografias, e acredito ser importante para dar uma dimensionada sobre os modos de proceder em saúde dentro do Brasil. A complexidade e dificuldade que é se pensar as ações frente demandas epidemiológicas.
Interessante como ela envolve a atenção constante, o que significa o repasse de verbas, a questão logística, o público alvo, etc. Tudo isso, lembrando, para um vírus que já estava erradicado. Imagina para as doenças que estão presentes no cotidiano.
Além disso, após mais de 10 anos, há ações e formações de profissionais em saúde para atuação com os resquícios da doença, isto é, as consequências que ela trouxe para aqueles que, em algum momento, contraíram-na.


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