Política Nacional de Humanização (PNH)
- Bernardo Portela
- 30 de mar. de 2021
- 3 min de leitura
Atualizado: 19 de abr. de 2021

A política nacional de humanização (PNH) começa a ser implementada no Brasil a partir do ano de 2004. Ela é uma política sem marco legal, isto é, não existe uma lei que a outorgue, mas sim uma série de cartilhas, divulgadas pelo Ministério da Saúde.
A ideia da PNH é propiciar mudanças nos modos de gerir cuidado. Tem como um dos seus princípios, quebrar a relação de poder no que se refere a saúde, buscando a corresponsabilização entre profissionais, gestores e sujeitos sobre os processos de saúde e doença.
Ela se organiza a partir de princípios, métodos, diretrizes e dispositivos. Sobre os princípios:
Transversalidade: A PNH deve estar presente e inserida em todas as políticas de saúde, visa o aumento do grau de comunicação entre grupos e indivíduos, produzindo, como consequência, a desestabilização dos territórios de poder.
Indissociabilidade entre atenção e gestão: Os modos de cuidar a saúde estão diretamente relacionados aos modos de gerir o trabalho. Integração entre política e sujeito.
Protagonismo, Corresponsabilidade e Autonomia: As mudanças na gestão e na atenção ganham maior efetividade quando produzidas pela afirmação da autonomia dos sujeitos envolvidos. Isso se refere tanto aos profissionais quanto aos usuários
Valorização da dimensão subjetiva dos sujeitos, a promoção de ações que visem a produção de saúde bem como o protagonismo social. A comunicação fluída e cooperativismo no que se refere aos cuidados em saúde.
Métodos
Inclusão de trabalhadores, gestores e usuários na gestão do cuidado em saúde, pois, na lógica da PNH, a comunicação destas três esferas de sujeitos, promovem a movimentação, é o motor de mudança do status quo.
Diretrizes
Acolhimento: Reconhecer o que o sujeito traz como legítima necessidade de saúde. Requer o vínculo e a escuta qualificada, envolvendo o exercício e o compromisso da pessoa que escuta;
Gestão participativa (cogestão): Inclusão dos sujeitos nos processos de saúde e decisão e cuidado, desenvolvendo espaços para que haja essa cogestão, tais como rodas de conversa, colegiados, etc.
Ambiência: Foca na ideia do acolhimento pelo ambiente, buscando propiciar um lugar mais aconchegante, que respeitem a privacidade e que possibilitem o contato entre as pessoas.
Clínica Ampliada: Olhar ampliado da clínica, visa-se um olhar para além da doença, que vise o sujeito em sua complexidade, com seus aspectos sociais, econômicos e o próprio processos subjetivo do adoecer. É necessário a construção do vínculo.
Valorização do Trabalhador: Reconhecimento de Honneth, hehe.
Defesa dos Direitos dos Usuários: Precisa-se salientar sobre os direitos e deveres dos usuários do SUS, é necessário haver uma porta aberta nesse sentido.
Dispositivos
Dispositivos podem ser entendidos como pelo qual a PNH operacionaliza as suas ações para atingir os princípios da PNH. É o modo como faz acontecer. Dentre os vários, os principais são:
Acolhimento com classificação de risco
Equipe de referência e apoio matricial
Projeto Terapêutico Singular (PTS)
Contratos de Gestão (Ideia de haver modos de operacionalização acordados entre a equipe, escalas, etc.)
Sistema de Escuta Qualificada (Ouvidoria, Pesquisas de Qualificação)
Acolher Familiares e Direito a eles de participar do PTS
A Clínica Ampliada
O objetivo central da clínica ampliada está na consideração e valorização dos múltiplos saberes sobre os processos de adoecimento, saúde e também sofrimento. Isso só é possível quando a relação clínica não se prende a uma única possibilidade de abordagem do problema. Quando inclui a possibilidade de crítica e de análise em todo o processo de cuidado.
A relação que profissional de saúde e usuário se propõem a perseguir na clínica ampliada deve partir do entendimento de que cada um deles detém o entendimento finito de coisas-diferentes um do outro e igualmente úteis ou inúteis para a resolução do que tomam como problema a ser enfrentado.
O que a clínica ampliada faz, é atualizar a multiplicidade de maneiras de se pensar e de se agir sobre os processos de adoecimento e de cuidado.


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