top of page
Buscar

LIVRO: Manual de Psicologia Hospitalar

  • Foto do escritor: Bernardo Portela
    Bernardo Portela
  • 9 de mai. de 2021
  • 4 min de leitura

Atualizado: 25 de mai. de 2021


Diagnosticar é o ver, o entender e o intervir interligados. A partir de um diagnóstico bem feito, evidencia-se e melhor estratégia terapêutica para aquele determinado caso. Na psicologia o diagnóstico tem por objetivo o conhecimento da situação existencial e subjetiva da pessoa adoentada, como também a sua relação com doença. Na psicologia hospitalar não diagnosticamos a doença, mas sim o que acontece com a pessoa doente.


O nosso diagnóstico não é expresso em termos de nomes de doenças, mas sim por uma definição abrangente dos processos que influenciam e são influenciados pela doença. Assim, ele funciona como um organizador daquilo que é relatado pelo usuário, isto é, suas queixas, suas emoções, simbolismos e significados. É um mapa que ajuda a escolher o melhor caminho a ser tomado.


É interessante que o autor traz a ideia de o diagnóstico ser uma hipótese e, caso a intervenção em cima dessa hipótese seja eficiente, significa que ela é uma ótima hipótese. Assim, ele quebra com a ideia de que o diagnóstico seja algo relacionado a uma verdade, estando, portanto, mais relacionado com uma ferramenta auxiliadora na intervenção.




O Livro estruturar-se-á a partir de quatro eixos, que serão descritos, de maneira sucinta, a seguir.


EIXO 01 - Diagnóstico Reacional (O modo como a pessoa reage a doença):


A doença é algo que se instala na vida do sujeito. Ocupa, ainda mais quando há internamento, um lugar central na sua vida, de modo que tudo passa a girar em torno dela e se não envolve-a, perde a importância.


Simonetti traz que, de maneira geral, há quatro posições que um usuário, ao estar internado, lida com a doença: negação, revolta, depressão e enfrentamento. "Habitualmente, a pessoa entra na órbita da doença pela negação, depois se revolta, algum tempo depois entra em depressão e, por último, não sem algum esforço pessoal e trabalho pessoal, alcança a possibilidade de enfrentamento real".


A NEGAÇÂO:


"Geralmente, a primeira reação de uma pessoa diante da doença é manifestada em frases do tipo 'não é possível', 'isso não está acontecendo comigo', 'isso deve ser engano" Assim, percebe-se que a negação é um processo natural do encontro do sujeito com a doença, com a possibilidade de morte e, nesse sentido, é importante respeitá-la, não confrontando o sujeito.


Na negação, portanto, o sujeito não aceita a doença, minimizando suas consequências, não querendo realizar as ações necessárias para poder aumentar a possibilidade de tratamento e/ou cura. Nesse momento, muitas vezes, é atribuído ao outro, por projeção, as angústias que envolvem esse processo.


A REVOLTA:


Momento em que a pessoa cai na real, revoltando-se, podendo expressar essa raiva para qualquer pessoa, descontando na equipe de saúde, familiares ou até mesmo colegas de quarto.


A revolta, como comenta Simonetti, é acompanhada pela frustração. A doença e o estar em situação de cuidados dentro de um hospital, faz com que esse sentimento seja sentido por diversas vezes: É a frustração por sair da rotina, por ter que mudar toda uma estrutura de vida devido a doença, etc.


A revolta é acompanhada de muita atividade, porém é uma atividade desordenada, sendo entendida como agitação. Simonetti diz que, embora tenha muita energia, ainda é uma posição passiva, no sentido de que não é feito nada para tentar combater ou enfrentar a doença.


"Tratar esses pacientes pelo caminho do isolamento só faz piorar a situação. Quando eles podem ser escutados em sua revolta e mau humor, quando podem ter seus sentimentos reconhecidos, seus medos ventilados numa conversa desarmada, geralmente melhoram muito em seus relacionamentos". Assim, "o trabalho do psicólogo hospitalar é facilitar a expressão das emoções evitadas".


A DEPRESSÃO:


É quando a pessoa entrega-se passivamente a doença, podendo a se negar a fazer qualquer coisa que se relacione ao tratamento da doença, muitas vezes, relacionado a uma desesperança do futuro. É um momento em que não existe o medo da morte, tampouco a vontade de viver. A depressão, como as outras posturas citadas acima por Simonetti, é algo "comum" diante do enfrentamento da doença, portanto, o "psicólogo hospitalar deve estar preparado para aceitá-la no paciente.


O ENFRENTAMENTO:


É quando o usuário encara sua doença de maneira mais realista. Nesse momento há uma alternância entre luta e luto. E quando a pessoa percebe sua realidade, isto é, sabe das dificuldades, mas mesmo assim está disposta a enfrentá-las.


"No enfrentamento, a pessoa para de se perguntar o por que da doença, mas não porque já tenha encontrado a resposta, mas porque descobriu que não se trata de saber se a doença faz ou não sentido, e sim de saber oque fazer com ela".


Esta fase não deve ser confundida como algo a ser corrigido ou com necessidade de tratamento, pois ela já é, em si mesma, a busca do sujeito por uma solução afetiva para o seu momento.




EIXO 02 - Médico (A sua condição médica):


EIXO 03 - Situacional (Análise das diversas áreas da vida do paciente):


EIXO 04 - Diagnóstico Transferencial (Análise das relações do usuário):


Este eixo, como o próprio nome sugere, avalia as relações que a pessoa doente estabelece a partir desse lugar. Estuda-se, portanto, o modo como a pessoa reage e as relações que ela, diante da doença, estabelece com a equipe de saúde, o médico, a sua família, com a instituição e o psicólogo.


O usuário relaciona-se com as pessoas a partir da transferência, isto é, repete um padrão de comportamento utilizado anteriormente com outras pessoas diante dessa nova situação. Simonetti traz a ideia de que existe determinados padrões de transferência, podendo o sujeito atribuir as pessoas: O discurso de mestre, do professor, da histeria e do analista. O último, analista, e o melhor papel a ser desempenhado pelo psicólogo na relação com o usuário.


Na posição de analista, o sujeito que anteriormente depositava no profissional toda a responsabilidade sobre a sua saúde, descobre que ele é capaz de deter conhecimento sobre si. Fator esse que é indispensável para o seu processo de cura.



 
 
 

Posts recentes

Ver tudo
PNAB:

É a Portaria nº 2.488 de 2011 que aprova a Política Nacional de Atenção Básica, estabelecendo a organização da atenção básica, para a...

 
 
 

Comentários


©2020 by Bernardo Portela. Feito no Wix.

bottom of page