HumanizaSUS: Atenção Hospitalar
- Bernardo Portela
- 9 de abr. de 2021
- 5 min de leitura
Atualizado: 19 de abr. de 2021

O texto discorre sobre a necessidade de haver uma modificação do modo como o serviço hospitalar é ofertado a população, tentando combater uma visão hospitalocêntrica, de atividade médico biológica, buscando, com isso, estruturar um serviço que dialogue com outros serviços de saúde da rede, havendo a inclusão de todos os sujeitos (profissionais e usuários) nas ações de saúde e, ainda, a transparência na condução dos trabalhos. Ou seja, é os princípios da PNH.
A reestruturação do modelo do hospital é, segundo o texto, um dos assuntos de maior importância e complexidade na atualidade, havendo, por parte da OMS, a reestruturação pautada nas seguintes características:
Ser um lugar para manejo de eventos agudo
Deve ser utilizado exclusivamente em casos que haja possibilidades terapêuticas;
Deve apresentar uma densidade tecnológica compatível com suas funções (unidades de tratamento intensivo e semi-intensivo; unidades de internação; centro cirúrgico; unidade de emergência; unidade de apoio diagnóstico e terapêutico; unidade de atenção ambulatorial; unidade de assistência farmacêutica; unidade de cirurgia ambulatorial; unidade de hospital dia; unidade de atenção domiciliar terapêutica, etc.);
Deve ter uma escala adequada para operar com eficiência e qualidade;
Deve ter um projeto arquitetônico compatível e amigável aos usuários.
A rede hospitalar no SUS enfrenta uma nova situação de exercer a prática cooperativa. O centrismo do hospital e a sua departamentalização/fragmentação excessiva devem ceder espaço ao hospital que dê valor ao conjunto da rede de serviços e coopere, eficazmente, com seus usuários (internos e externos) antes e depois da hospitalização.
O texto aborda, quase que o tempo todo a ideia de por os sujeitos em primeiro lugar, reconhecendo seus distintos "interesses, desejos e necessidades e incluí-los nos processos de diálogo, negociação e construção de corresponsabilidade. Sujeitos que em relações mais democráticas, sejam mais capazes".
Inclusão como o foco da PNH
Então, A partir do exposto ficou sabido que a PNH visa atuar na mudança da lógica de gerir o cuidado em saúde, buscando proporcionar um ambiente em que haja a co-responsabilização sobre os processos de saúde e doença, tendo como foco principal das práticas de cuidado o sujeito, tentando ainda dialogar com os outros serviços da rede de saúde.
Dito isso, é importante explanar como se busca fazer com que haja a implementação da PNH, sendo, o principal método a inclusão.
A inclusão da diferença é a principal força-motor para a produção de mudanças.
Segundo o HumanizaSUS: "O principal efeito da inclusão é produzir perturbação e estranhamento nas práticas cotidianas de trabalho, pois é daí que nascem movimentos que fomentam mudanças, pois elas tendem a desestabilizar o que está dado. Tomar a perturbação da inclusão, as tensões que aí se produzem como matéria-prima para a construção de modos de gestão afinados com interesses coletivos e práticas clínicas mais aproximadas das práticas de vida dos sujeitos que se singularizam nesta relação, é o método da PNH".
Assim, visando estabelecer a inclusão das instituições de saúde, há algumas diretrizes organizativas. Entre elas destacam-se: acolhimento, gestão democrática, clínica ampliada, valorização dos trabalhadores, defesa dos direitos dos usuários e o fomento as redes sociais de produção de saúde.

Humanização no Hospital
Os Hospitais são burocráticos, autoritários e centralizadores, por isso, são uma das instituições mais impenetráveis a mudanças. Tais características acarretam em diversos problemas, tais como a dificuldade do trabalho em equipe, a falta de participação colaborativa do usuário nos seus processos de saúde e doença, e uma relação profissional bastante hierarquizada, tendo no médico, o detentor do saber-poder.
Assim, busca-se remodelar as práticas e os modos de operação dos hospitais, tanto no sentido interno, isto é, das equipes de trabalho, como também no sentido de rede, no modo como ele se insere na lógica do SUS.
TA, MAS COMO FAZER COM QUE A PNH SEJA IMPLEMENTADA NOS HOSPITAIS?
1. Ampliar a experiência democrática na gestão
Sabido que a estrutura do hospital é vertical e hierarquizada, a busca esta em estabelecer relações mais horizontalizadas, visando diminuir ações político-administrativas que segregam e distanciam a gestão do cuidado.
2. Experiência de clínica compartilhada, corresponsabilização entre profissionais.
O trabalho em saúde depende, sempre, de trabalho coletivo, em geral da ação de equipes de saúde. Todavia, a organização dos processos de trabalho no hospital obedece e guarda coerência, muitas vezes sustentado por uma lógica hierárquica.
Esse arranjo de trabalho faz com que muito embora os trabalhadores coabitem o mesmo espaço de atuação, suas tarefas não necessariamente corresponderão à ação interdisciplinar, a qual pressupõe padrões de troca, interação e comunicação na direção da produção de ação comum.
Essa forma de organização do trabalho pode ser chamada de equipe agrupamento, onde predomina a justaposição das ações, com baixa conectividade entre as distintas atividades. Porém o trabalho em equipe é um requisito fundamental para a efetividade das práticas de saúde e, nessa perspectiva, não há uma profissão ou território de saber/poder que tome, a priori, maior importância que outro.
Assim, para que o trabalho em equipe aconteça se faz imprescindível a construção de outro marco lógico para a regulação do trabalho, favorecendo a ação interdisciplinar, acionadora de maior cooperação e corresponsabilização coletiva.
É importante ressaltar que o trabalho em equipe não é espontâneo, não ocorre de forma generalizada na organização. Se não alçar lugar de diretriz de gestão não encontra, na justaposição das profissões, seu reconhecimento como tecnologia potente para a produção de saúde. O trabalho coletivo surge da sinergia, e ela é tecida em pequenas negociações cotidianas que vão se constituindo em situações reais de trabalho. É uma permanente construção e reconstrução.
Além da sinergia precisa, é lógico, de muita reflexão dos profissionais de saúde, sendo ela uma estratégia para dar passagem a uma experiência mais coletiva de trabalho
A construção de relações clínicas mais coletivas e compartilhadas nas equipes permite o alcance de avanços na corresponsabilização pelo cuidado nos hospitais do SUS. O trabalho em equipes é uma exigência ao mesmo tempo ética e técnica, cuja aposta da PNH se dá mediante o acionamento da cogestão, permitindo que os trabalhadores ampliem a clínica, construindo dispositivos que garantam uma experiência no trabalho mais gratificante e mais potente para a produção de saúde.
3. Estratégias de inclusão dos usuários e da sua rede sociofamiliar nos processos de cuidado.
O núcleo central de mando e poder dos hospitais, via de regra, é o saber médico. A exclusão resulta da ação de um plano de forças, cujo sentido do movimento é centrípeto, que faz remover tudo aquilo que não se identifica com um núcleo central de poder.
Além disso, no hospital a organização gire em torno de interesses que nem sempre acolhem necessidades dos usuários e trabalhadores. Nesse sentido, o hospital pode ser visto como uma instituição que, muitas vezes, desconsidera os sujeitos, bem como os seus saberes e experiências de vida.
Inclusão da rede afetiva e social do usuário no cuidado, além de direito de cidadania garantido em lei, é uma potente estratégia para:
a ampliação da corresponsabilização no processo de cuidado;
defesa dos interesses dos usuários nas organizações de saúde
A inclusão dos usuários e acompanhantes também obedece a uma diretriz do SUS que é a gestão participativa. Esses arranjos são imprescindíveis para a democratização da saúde e é por isso que a PNH busca proporcionar maior incidência e presença dos usuários e rede sociofamiliares nos hospitais, a exemplo do Direito ao Acompanhante, à Visita Aberta, bem como um leque de dispositivos no campo da gestão como a constituição de colegiados gestores e outras modalidades de gestão democrática.
4. o hospital pertence a uma rede - ampliar e qualificar a presença, inserção e responsabilização do hospital na rede de saúde
As reformas no setor Saúde realizadas no mundo inteiro nas últimas décadas, de alguma forma, são estratégias de desospitalização. Isto significa redefinir a posição do hospital na rede de saúde, pois ele é um recurso estratégico para a produção de saúde em uma sociedade e a sua inserção e modo de atuação na rede de cuidados interferem de forma decisiva na qualidade do cuidado em saúde.
O hospital, dentro da lógica do cuidado em rede de saúde, assume o papel e função de suporte, possibilitando a utilização mais criteriosa de tecnologias de maior custo, logo menos disponíveis, até porque por critérios epidemiológicos e de custo-efetividade as tecnologias de cuidado agregadas. Em tese, atua com casos de maior gravidade, mas que ocorrem com menor frequência.


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